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  • Out

    15

    2026

Sincomercio promove debate sobre o futuro do varejo

O Sincomercio promoveu, no dia 15 de outubro, a palestra “O Novo Varejo: Perspectivas, Perdas, Riscos e o Futuro”, conduzida pelo Fábio Pina, economista, professor, consultor e assessor da FecomercioSP.

O encontro reuniu empresários, comerciantes, gestores e profissionais interessados em compreender as transformações que vêm redefinindo o ambiente de negócios e os desafios que já impactam diretamente a rotina do comércio.

Ao longo da apresentação, Fábio Pina estruturou a análise em três grandes eixos: conjuntura econômica, novo varejo e perdas, combinando leitura de cenário com orientações práticas para a gestão das empresas.     

Cenário exige atenção e capacidade de adaptação

Entre os temas apresentados estiveram os efeitos dos juros elevados, inflação, desaceleração do consumo, endividamento e inadimplência sobre o varejo. Dados apresentados durante a palestra mostraram, inclusive, sinais de desaceleração nas vendas tanto no Estado de São Paulo quanto na região de Catanduva. 

A análise também destacou que as mudanças enfrentadas pelo setor não devem ser vistas como um movimento passageiro. Entre as tendências estruturais apresentadas estão a migração para os canais digitais, a maior sensibilidade do consumidor a preços, a fragmentação dos canais de venda e a transformação do papel da loja física. 

Nesse novo cenário, o estabelecimento físico continua relevante, mas passa a assumir novas funções. Além da venda, tende a se tornar espaço de experiência, relacionamento, retirada de produtos, trocas, serviços e integração com os canais digitais.   

Integração entre o físico e o digital

Outro ponto central da palestra foi a necessidade de abandonar a visão de que comércio físico e digital são concorrentes entre si.

A recomendação apresentada foi trabalhar de forma integrada, unificando estoque, preços e experiência entre os canais. Segundo o conteúdo apresentado, “o varejo vencedor não é físico ou digital – é integrado”. 

Para os pequenos negócios, também foram apresentadas alternativas para competir sem entrar necessariamente em uma guerra de preços com grandes marketplaces, como trabalhar nichos, fortalecer a curadoria, investir em reputação e utilizar as próprias plataformas digitais como caminho para conquistar e fidelizar clientes. 

A proximidade com o consumidor continua sendo uma vantagem importante do comércio local. Atendimento consultivo, conveniência, WhatsApp, redes sociais, agilidade e conhecimento do cliente foram destacados como instrumentos capazes de fortalecer a relação com o público e gerar recorrência. 

Perdas também impactam diretamente a competitividade

A programação dedicou ainda espaço especial à prevenção de perdas.

Fábio Pina destacou que perda no varejo não está relacionada apenas a furtos. Ela também envolve quebras operacionais, produtos vencidos ou danificados, erros administrativos, falhas de cadastro e problemas nos processos de compra e venda. 

Dados apresentados durante a palestra apontaram que as perdas representaram R$ 36,5 bilhões no varejo brasileiro em 2024, equivalentes a 1,51% do faturamento do setor, segundo pesquisa da Abrappe/KPMG utilizada na apresentação. 

Entre as medidas sugeridas estiveram melhor controle de estoques, acompanhamento de validade, inventários periódicos, treinamento das equipes, monitoramento de indicadores e utilização de tecnologia para transformar os dados gerados pelo próprio estabelecimento em decisões de gestão. 

A palestra também mostrou aplicações acessíveis de tecnologia e inteligência artificial, como sistemas de gestão, previsão de demanda, painéis de indicadores, análise de vídeo, RFID e IA generativa aplicada a atividades administrativas e de gestão. 

Informação para fortalecer o comércio

Mais do que apresentar tendências, o encontro reforçou a importância de acompanhar as mudanças de comportamento, avaliar permanentemente a operação e tomar decisões baseadas em dados.

Uma das principais mensagens apresentadas foi de que o varejo não desaparece — ele se transforma e seleciona os negócios mais preparados. Tendem a ganhar espaço as empresas que ajustam suas estruturas, integram canais e redefinem o papel de suas lojas, enquanto operações pouco diferenciadas e com estruturas pesadas enfrentam dificuldades maiores.

Ao promover iniciativas como essa, o Sincomercio Catanduva reforça seu compromisso com a capacitação empresarial, a disseminação de informação qualificada e o fortalecimento do comércio local, contribuindo para que empresários e gestores estejam mais preparados para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades de um mercado em constante transformação.

Sincomercio — trabalhando sempre por um comércio cada vez mais forte.